PARQUE ESTORIL

evolução de um território de arquitectura

Projecto de investigação realizado no âmbito do Programa Millennium Bolsas de Investigação Cidade e Arquitectura – Cidade e Património Arquitectónico do séc. XX 1910-1974
A unidade urbana e paisagística que designamos por Estoril é uma marca territorial de um projecto pensado de origem para um sítio específico e um programa inovador, sem precedentes em Portugal. O Estoril definiu uma nova centralidade que contribuiu fortemente para o desenvolvimento urbano da Costa do Sol e do concelho de Cascais. 
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O Estoril é uma paisagem construída num conjunto de vales, de um território que se estende de Lisboa a Cascais, espaço natural de vigia e defesa militar da Barra do Tejo. Porém com a introdução de um novo hábito social, a prática de banhos-de-mar, este espaço será palco de uma transformação radical. A presença sazonal da elite da sociedade no final do séc. XIX, provocou o interesse da alta finança, que investiu no desenvolvimento: de um lado, as vias de comunicação, a Estrada Real e a linha ferroviária; por outro o desenvolvimento de aglomerados urbanos existentes e a criação de novos conjuntos.
 
Fausto de Figueiredo, empreendedor, e Henri Martinet, arquitecto paisagista, publicavam em 1914, o folheto-álbum Estoril: estação marítima, climatérica, thermal e sportiva. A ideia transformava um pinhal numa estância balnear e termal à escala internacional. O projecto desenhava um conjunto cenográfico de equipamentos lúdicos de grande escala e excepção, organizados em torno de um jardim axial perpendicular ao mar, com grande destaque para a sua pelouse (relvado) com o Casino à cabeça do conjunto, em modelos importados de França.
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As primeiras obras prosseguiam, quando o arquitecto Silva Júnior é chamado a adaptar os projectos, numa re-estilização das estruturas em defesa da arquitectura nacional em plena Iª Guerra Mundial. Perante as dificuldades financeiras do tempo, o restante pinhal seria loteado para urbanização de residências burguesas, transformando a estância numa operação de expansão urbana.
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A chegada do comboio Sud-Express de Paris coloca o Estoril no mapa internacional. Na sequência do projecto da Estação do Cais do Sodré, a Sociedade Estoril-Plage contratava Porfirio Pardal Monteiro e Raoul Jourde para a elaboração dos projectos do conjunto de edifícios a concurso da Zona Permanente de Jogo (1927). Os projectos abandonam o estilo revivalista Beaux-Arts, para construir uma nova arquitectura Art Déco, marcada pela sua abstracção geométrica e estilização formal, num modernismo experimental possível pela nova tecnologia do betão armado.
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Outros edifícios seguem os mesmos princípios modernistas: os dois edifícios de comunicações de Adelino Nunes, no remate com a nova Estrada Marginal; o Clube de Ténis no terreno a norte do Hotel do Parque; o Edifício de Banhos-de-Mar que prolonga a cota da estação na sua cobertura praticável, sobre o novo passeio marítimo.
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O sucesso do empreendimento, levaria a sucessiva renovação do espaço envolvente. O projecto de Manuel Tainha para as Piscinas do Tamariz na década de 1950, afirma o conjunto dos princípios do Movimento Moderno numa síntese notória. O programa lúdico seria repetido com o protótipo da Piscina Flutuante de Eduardo Anahory ao largo do Tamariz.
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A Sociedade Estoril-Sol, na revisão da concessão do jogo (1958), procede à renovação do Casino, num projecto de Filipe de Figueiredo e José de Segurado. A intervenção consiste num conjunto de grandes espaços organizado em torno de um pátio plantado, onde os pormenores dos interiores de José Espinho e Daciano da Costa se afirmam.
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O Estoril constituiu uma transformação de grande escala de um território que produziu um centro urbano de uma periferia qualificada para uma classe privilegiada. Os edifícios que compõem este espaço, caracterizam-se pela sua excepção e relação com o conjunto do Parque. Assistimos aqui à introdução da ideia de modernidade, aliada ao progresso e ao cosmopolitismo europeu. A permanente actualização por ocasião do programa turístico de cariz internacional, permitiu a criação de um polo de entrada de novas correntes arquitectónicas e novas tecnologias construtivas, em contra-ciclo com o resto do país.
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